quarta-feira, 8 de julho de 2026

O direito de renunciar a necessidade de agradar

A percepção de hoje é que não devemos ter medo de decepcionar as pessoas. Quantas vezes fazemos algo para agradar as pessoas que são importantes para nós, muitas vezes contra a nossa própria vontade porque sentimos a necessidade de aprovação e desejo de querer agradar e de pertencer.

Quantas vezes assumimos responsabilidades que não são nossas? Ouvimos a reclamação e o problema alheio e chamamos de empatia esse desejo de querer ajudar, de ser útil e de fazer a diferença na vida das pessoas com as quais convivemos.

Mas o peso da mochila que carregamos deve conter apenas o peso da nossa própria responsabilidade. Devemos incentivar as pessoas a pensarem primeiro nelas antes que queiram que nós pensemos nelas. Cada cidadão deve assumir a responsabilidade pela sua vida e pelas suas decisões, com coragem, fortaleza, perseverança e constância, fazendo o que deve ser feito e o fazendo bem feito.

Enfim, a responsabilidade não significa carregar tudo, mas sim avaliar quais são as minhas obrigações, as minhas missões, a minha vida, minha família e meu trabalho e perceber para onde estou caminhando, priorizando o tempo com o que realmente é importante em busca de uma vida plena e memorável.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Inteligência artificial, solipsismo e o direito fundamental à coerência


A reflexão de hoje é sobre o uso da inteligência artificial (IA) na atividade jurídica e como o uso da IA pode favorecer o solipsismo, que é, por exemplo, quando o próprio julgador decide primeiro se vai julgar uma causa procedente ou improcedente e só depois vai à procura dos fundamentos jurídicos.

Isso inverte a lógica de qualquer julgamento, pois o dever do julgador é analisar previamente as provas existentes para formar o seu convencimento. Não há óbice algum ao uso da IA como uma ferramenta de apoio à atividade judicial, por exemplo, resumindo o processo, elaborando relatório e apoiando o magistrado na tomada de decisão, mas, sempre, analisando as provas e as peculiaridades do caso concreto.

O direito à razoável duração do processo não faz sentido se não for capaz de conduzir a uma decisão judicial humanizada e não simplesmente voltada à contabilização de números para atestar sua produtividade.

Surge, assim, a necessidade de reconhecer o direito fundamental à coerência no processo judicial, o que também exige boa fé por parte dos advogados que devem sempre atuar de forma ética, abstendo-se de usar técnicas de "prompt injection" ou similares, assim como os magistrados devem revisar suas sentenças produzidas com IA, principalmente nas condenações criminais, uma vez que, por exemplo, a IA não sabe calcular a reincidência e não cola mais por a culpa nos estagiários.